No final de Out/2011 fiz uma apresentação no I Encontro de Governança de TI sobre cultura organizacional e como os padrões de TI podem contribuir durante estas mudanças. A reação da platéia só reforça a minha concepção de que o grande motor das mudanças não está na qualidade técnica das propostas, nem na autoridade dos proponentes, está na conquista. Obviamente grande parte dos profissionais de TI é muito ligada a tecnologia, e por isso eles até são chamados de “nerds”. Quem sabe a visão técnica crie nestes profissionais a impressão de que é possível mudar uma organização apenas instalando alguns aplicativos e enviando um spam.
Nossa relação com a tecnologia mudou muito. Hoje nós temos “amigos virtuais” em sistemas que simulam um relacionamento. Meu filho não imagina o que era o mundo sem celular, Internet, impressora, CD/DVD, MP3… Numa mesa de reunião temos pessoas que iniciaram suas carreiras na máquina de escrever e hoje precisam entender que uma notícia pode chegar mais rápido da mesa do chefe até o subordinado via Facebook do que pelo corredor. Não é fácil. Se uma cultura é formada por toda essa diversidade de pessoas, será que uma simples determinação da alta direção será seguida rigidamente? Evidentemente não. Tanto pelo entendimento errado quanto pela conveniência.
Na prática, o nosso comportamento numa organização não reflete muita coisa do que é o oficialmente divulgado como regra.
Um ótimo exemplo são as leis que “pegam” e as que “não pegam”. Sendo assim, uma abordagem mais direcionada às particularidades humanas pode trazer melhores resultados na implantação de qualquer padrão organizacional. Talvez uma boa saída seja incluir nos planos de implantação um capítulo dedicado à conscientização sobre o tema. Mas qual o motivo de tanta distância entre os profissionais de TI e os profissionais da área fim? Quem sabe o fato da TI ser uma caixa preta ajuda a manter este isolamento… mas aí já são outros 500.