Muitas vezes nos deparamos com frases do tipo: “Há alguns anos eu era muito valorizado no mercado por que dominava tal tecnologia. Mas hoje este conhecimento não vale nada!”. Esta, sem dúvida é uma das faces mais cruéis da TI, o dinamismo das tecnologias. Este dinamismo nos faz estar sempre em busca de novos conhecimentos e atualização. E aos que se privam desta busca resta a derrota.
Ninguém contesta que as tecnologias devem evoluir, pois esta evolução nos garante entregar soluções cada vez mais eficientes. No entanto, do ponto de vista da carreira de cada indivíduo torna-se sacrificante estar sempre na crista da onda das tendências tecnológicas. Normalmente uma nova tendência surge, derrubando a anterior, num ciclo muito curto, provocando em quem se aperfeiçoou na tecnologia anterior um sentimento de impotência. Eu diria que acompanhar estas tendências é matar um leão por dia, por vários motivos:
- Alto custo de capacitação em novas tecnologias, além da dificuldade em encontrar estes cursos no momento certo, ou seja, um pouco antes da nova tecnologia ser muito solicitada.
- Necessidade de ampla disponibilidade do interessado em se manter no topo. Ou seja, após um dia de trabalho ainda é necessário dedicação para estudar a nova tecnologia, que está chegando. Isso irá comprometer no mínimo umas 14 horas do seu dia, sem contar que o candidato também precisa comer, se divertir, conviver em sociedade, ter uma família etc.
- É necessário estar num ambiente que respire inovação. As novas tecnologias muitas vezes são temidas, ignoradas e até mesmo abominadas por chefes e colegas. Este é um fator altamente desmotivante, e neste caso o corajoso deve ser muito, muito dedicado.
- Há um grande risco do investimentos ser perdido. Pode ocorrer o caso de a tecnologia que tanto prometia não “bombar” e o estudioso simplesmente perder tempo e dinheiro investidos. Este fato, além de ser desmotivante, pode inviabilizar o investimento em uma outra tecnologia candidata a próxima tendência.
- É necessário um alto grau de motivação e disciplina. Estudar estas tendências requer tempo, dedicação, disciplina e conhecimento do ambiente, além de uma colher de sorte, o que nos faz escolher a tecnologia que realmente vai abalar as estruturas atuais.
Sem dúvida, todos estes esforços requerem muita energia. E energia é uma característica que combina bem com jovens cheios de gás, sedentos por aprender e sem preocupações. Mas todos amadurecem e perdem aquele pique todo, e este é o momento de pensar em tendências com períodos mais longos entre as transições. Conceitos e metodologias que exijam mais bagagem do candidato, mais relacionados a gerência e gestão, e mais ligados a Administração do que a Tecnologia da Informação, por exemplo.
De fato, evoluir é necessário, seja em ciclos mais curtos ou mais longos, a capacidade de adaptação garante que estaremos sempre na pilha dos currículos que serão avaliados.
Só não concordo com o item 2. Algumas empresas permitem e até mesmo incentivam que o profissional se atualize e aplique as novas tecnologias e conceitos no próprio ambiente de trabalho. Exemplo? Nokia.